Artigo: Saúde precisa de mais médicos e atendimento às famílias

2014-03-10 00:00:00 | Comentários:

A partir do final da década de 1980, as administrações municipais dirigidas pelo PT estabeleceram políticas que se tornaram marcos de eficiência e eficácia na gestão pública sendo, por pressão da sociedade civil e também dos organismos de cooperação internacional, adotadas por governos de diversos partidos e em outras esferas de governo.

Apenas para citar dois exemplos exaustivamente estudados e difundidos dentro e fora do País, lembramos o Orçamento Participativo e o Programa de Saúde da Família – aquele constituído por equipes que levam o atendimento básico às residências, sendo que cada grupo é composto, no mínimo, por um médico generalista, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfermagem e seis agentes comunitários de saúde.

Em 1994, diante dos bons resultados alcançados nos municípios, o governo federal decidiu implementar o programa em âmbito nacional e, desde então, a iniciativa vinha sendo ampliada.

Como é do conhecimento de todo gestor público, a expansão do programa encontrou na falta de médicos dispostos a atender nos locais mais afastados do País, um limite intransponível a curto prazo. Para resolver o impasse a médio e longo prazos, desde o governo Lula vêm sendo promovidos mecanismos para democratização do acesso aos cursos de medicina, historicamente um monopólio das elites. Mas tanto o processo de ampliação universitária, quanto a própria formação dos profissionais levam tempo, décadas até, e a população pobre não pode esperar.

Tivéssemos nós um ministro da Saúde burocrata, e uma presidenta da República insensível e covarde, a solução seria esperar. E, enquanto esperasse, números, estatísticas e gráficos seriam apresentados para tentar provar que algo vinha sendo feito.

Felizmente, o povo brasileiro elegeu Dilma Rousseff para dar continuidade às ações do governo Lula e a presidenta, acertadamente, nomeou Padilha seu ministro da Saúde. Escolheu a dedo. Considerou a atuação do médico Padilha que recusou montar um consultório nas áreas nobres da capital paulista, para atender as populações mais fragilizadas das regiões Norte e Nordeste.

Conhecedor do sofrimento da população pobre, ciente dos vícios que impregnam grande parte dos colegas de sua categoria, e comprometido com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, Padilha não hesitou em criar o Mais Médicos e contratar profissionais, inclusive estrangeiros, dispostos a atender as brasileiras e os brasileiros mais pobres e, consequentemente, mais necessitados de atenção à saúde.

O programa vem sofrendo críticas e boicotes de jornalistas, profissionais e políticos que têm em comum o convênio com planos de saúde que custam fortunas. A última crítica veio do ex-ministro da Saúde do governo Fernando Henrique, que acusa o governo federal de alocar recursos em um programa que traz médicos para atuarem por tempo determinado, ao invés de investir no Programa Saúde da Família.

Pois é... Tivesse o ministro da Saúde, quando no exercício de sua função, alertado FHC sobre a necessidade de democratizar o acesso às faculdades de medicina e formar profissionais dispostos a atender “onde o povo está”, certamente os governos Lula e Dilma não teriam herdado o sistema público de saúde em colapso, como aconteceu.

Não entendeu o ex-ministro que o mérito do Mais Médicos é justamente, em caráter emergencial, salvar vidas. Enquanto garante o direito à vida, o governo federal alavanca ações nas áreas da educação, assistência social, ciência e tecnologia, entre outras, destinadas a fortalecer e tornar eficiente o Sistema Único de Saúde.

É um processo, iniciado em âmbito nacional em 2003, e cujos resultados estamos começando a notar, como demonstram as manifestações de apoio das populações pobres atendidas pelos profissionais estrangeiros.

Aqui no Estado de São Paulo, ficamos na expectativa que as eleições de outubro nos permitam substituir governantes que só sabem discursar e criticar, por administradores que conhecem a realidade e têm coragem e competência para transformá-la.

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