A merenda, sempre a merenda

2016-02-11 00:00:00 | Comentários:

Não é a primeira vez que o Geraldo Alckmin se lambuza com, escândalos que envolvem a merenda de escolas públicas Em 2011 uma série de reportagens do jornal Estadão denunciava o esquema de fraudes na compra e distribuição da merenda em Pindamonhangaba, cidade de origem do governador. As acusações chegaram a um cunhado e até um sobrinho da primeira dama, Lu Alckmin.

Como já de costume, a blindagem do PSDB funcionou, e só agora a  Polícia Civil e o Ministério Público voltam, a investigar um novo esquema de pagamento de propina no setor.

Deflagrada no dia 19 de janeiro, a Operação Alba Branca prendeu seis dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), na cidade de Bebedouro (perto de Ribeirão Preto). Em depoimento, os funcionários afirmaram que o esquema envolvia 22 cidades e a Secretaria da Educação do Estado.

De acordo com eles, beneficiaram-se das fraudes os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB) e os deputados estaduais Luiz Carlos Gondim (Solidariedade) e Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

As investigações também atingem figuras do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Foram citados Duarte Nogueira, secretário de Transportes e ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Fernando Padula e Luiz Roberto dos Santos, até dias atrás chefes de gabinete da Educação e da Casa Civil, respectivamente.

Os personagens refutam participação no caso, mas os indícios contra Santos e Padula, por exemplo, não se restringem aos depoimentos. O primeiro foi flagrado em conversas telefônicas comprometedoras, e nelas houve menções explícitas ao nome do segundo.

Em um episódio relatado por Cássio Chebabi, ex-presidente da Coaf,  em 2013, após a cooperativa vencer chamada pública de R$ 8 milhões para fornecer suco de laranja a escolas paulistas, o contrato foi cancelado sem maiores explicações.

Em seguida, um lobista que se apresentava como representante do deputado Fernando Capez teria acenado com a possibilidade de destravar o contrato em troca de propina. Oferta aceita, a Coaf venceu a nova chamada pública realizada meses depois.Como explica o líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputado Geraldo Cruz, as apurações ainda estão no início, e as informações do Portal de Transparência do Governo do Estado não são claras e dificultam as pesquisas.

“Todas as denúncias de desvio de dinheiro público são graves e devem ser apuradas, porém, a Máfia da Merenda deixa qualquer cidadão ainda mais revoltado, pois tira o alimento da boca de quem mais precisa”, disse o deputado em entrevista para a TVT.

Para ele é preciso abertura imediata de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, pois é papel da Alesp apurar os fatos já que os envolvidos aparentemente enganaram também os municípios ao vender produtos comprados nos grandes centros de distribuição como se fossem oriundos de cooperativas e agricultura familiar.

“A Lei Federal, que obriga os municípios a comprarem 30% das merendas escolares, foi estabelecida no governo Lula, e é eficiente ao promover o mercado dos pequenos agricultores, porém houve má fé, daqueles que usaram disso para benefício próprio”, explicou Geraldo Cruz.

 

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